quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Uwaga gente, it's getting close to the end

Incrível como a virada de mês mudou o clima aqui em Gdansk! Passamos julho inteiro carregando guarda-chuva, e agora todos os dias de agosto estão quentes e ensolarados. Muito bom, estamos aproveitando muito mais.

Quinta acabou sendo meu último workshop na ONG DOM (das "crianças normais"). Não me despedi das crianças porque não sabia se ia aparecer por lá segunda, mas acabei não aparecendo. Tudo bem, éramos quase invísiveis para elas, que quase nunca queriam brincar com a gente...
À noite saímos para o Parlament, uma balada de Gdansk que lota de quinta porque é de graça. Foi legal, quase todo mundo do flat foi. Acho que o dj gostava muito de Michael Jackson, tocou pelo menos seis músicas dele, mas tudo bem. Depois da festa comi meu primeiro kebab, muito booom! Devia ter experimentado antes.

Sexta foi o Global Villageee! Teve muuuita comida e principalmente risadas. Nós fizemos brigadeiro (ainda não ficou como deveria), maionese, caipirinha e expomos várias coisas do país na nossa mesa. Do México teve enchiladas e bebida com tequila, do Irã teve arroz com tempero raro (haha) e um negócio de carne com feijão, dos EUA teve sanduíche de pasta de amendoim com geléia de morango, da Grécia teve charuto de arroz, de Moldova teve salada típica, da Polônia teve pierogi de morango e linguiça com repolho... sem contar os doces que todas as mesas tinham. Jogamos loteria (jogo mexicano) em todas as línguas possíveis, até de uma região separatista da Polônia.


Sábado planejamos ir para Westerplatte, o lugar em que começou a Segunda Guerra Mundial (sim, foi aqui em Gdansk). Para chegar lá tem que pegar um barco, e para chegar no rio tem que atravessar toda a cidade antiga. Quando chegamos na cidade antiga nos deparamos com uma feira super legal. Tinha comida, artesanato, souvenirs, roupas e tudo o que se pode imaginar (mais tarde descobrimos que é a maior feira da Europa), e acabamos perdendo boas horas andando por ela. Pegamos o barco às 18h. O passeio era bem legal, mostrava os estaleiros antigos e tal. O barco atracou um pouco longe do lugar, às 18h55, mas tudo bem, iriamos a pé até lá sem problema. Quando fomos sair do barco um cara nos impediu, dizendo que o barco ia sair às 19h. E foi assim que acabou nosso passeio para Westerplatte: tirando uma foto de longe.


À noite o plano era sair em Sopot, o problema era que quase todo mundo estava morto, menos eu. Com meu super desejo de comer kebab, saí as duas da manhã com a Eli e o Ben para comer. Fomos para a cidade antiga e comemos kebab, haha. Graças aos ônibus noturnos super pontuais de Gdansk, chegamos em casa depois das cinco da manhã.

Domingo fui com a Aline e a Sara para Gdynia. Finalmente! Porque é super perto e ainda não tínhamos ido. É muito bonito lá, florido e tal. Andamos bastante, tomamos sorvete e sentamos em um bar em frente à praia. Não lembro o que fiz à noite. Também não lembro o que fiz segunda, só sei que fui no shopping.
Terça cedo teve workshop em Orunia, mas nesse horário só vão crianças menores. Eles finalmente montaram a mesa de pebolim, imagina se eu não gostei. Passei quase o workshop inteiro brincando de pebolim e ping pong com eles.
No fim da tarde finalmente fizemos a apresentação do Brasil para a ONG dos esportes radicais. Na minha opinião foi a melhor de todas! haha. Falamos de muita coisa, distribuímos doces, mostramos dinheiro e, é claro, demos fitinhas do Senhor do Bonfim. O pessoal se mostrou muito interessado, foi bom apresentar essas coisas para gente da nossa idade. Como esse workshop é em Sopot, depois saímos por lá. Fomos em um café-bar muuuito legal, a decoração é inspirada no livro "O Processo", do Kafka. Eu não sei nada desse livro, só sei que o bar era muito foda. Depois andamos um pouco na beira da praia, fomos em um pierzinho e voltamos para casa.

Quarta de manhã tivemos workshop em uma nova ONG. Aparentemente é uma casa gigante onde moram mães solteiras com seus filhos no andar de cima, e no de baixo é a ONG. A infra-estrutura é bem ruim, brincamos em um pedaço de terra em frente à casa, dava para fazer um campinho. As crianças tem mais ou menos a mesma idade das crianças do DOM, mas elas demonstraram muito mais interesse e envolvimento que as outras. É fácil perceber que as crianças são bem pobres. Algumas mães ficaram vendo os jogos enquanto fumavam. O Wojtek comentou algo sobre vício em drogas, mas não tenho certeza. Pena que começamos só agora lá, seria bom ter mais tempo com aquelas crianças.
À tarde fomos para Orunia. Nos reunimos com as crianças e um coordenador da ONG e fomos todos para um parque do bairro. Subimos uma grande colina e, quando chegamos no topo, juntamos galhos, fizemos uma fogueira e comemos salsicha com pão. Em um momento fiquei um pouco irritada, porque dois meninos começaram a brincar com fogo (andar em cima da fogueira, pular por cima, brincar com galhos pegando fogo...) e o coordenador fingia que nada estava acontecendo. Felizmente eles não ficaram muito tempo, foram embora e o clima melhorou. É engraçado como sempre que adaptamos nossos drinking games para brincadeiras infantis o resultado é sucesso. Brincamos em volta da fogueira, eles nos ensinaram uma tradição polonesa que se faz no fim de uma fogueira e fomos embora.

Hoje fui com a Natasha para Malbork, uma cidade que fica a uma hora daqui. O resto do pessoal já tinha ido faz um mês, mas eu estava trabalhando no kindergarten e não pude ir. Enfim, lá fica o Castelo de Malbork, o maior castelo medieval da Europa (algo assim). Gostei muito! É um daqueles castelos que tinha água em volta e tinha que descer uma ponte para poder entrar, tipo nos desenhos do pica-pau, e eu fiquei super feliz com isso, haha. Dentro também era bem interessante.


Voltamos para casa, tomei um banho super rápido e já saímos para Sopot. Durante todo o mês de agosto toda noite vai ter filme no pier de Sopot. Tem um bom telão e algumas cadeiras, várias pessoas levam cobertores para sentarem em cima ou se cobrirem. Assistimos O Escritor Fantasma. Depois fomos tomar um chocolate quente porque tava muito friiio na beira da praia.

No começo da semana o Peter viajou para Israel e só volta no meu último dia por aqui. Está sendo ótimo, porque (longas histórias) o clima no flat é muito memos estressante sem ele.
Há conflitos entre algumas pessoas daqui mas, como diriam no primeiro ano, estou no pântano, haha.

Estou um pouco frustrada porque acabei viajando bem menos do que planejava. Quando pensei em vir para a Polônia, pensei na vantagem de ser um lugar estratético, bem localizado, que daria para viajar fácil para outros países. Infelizmente só pensei no país, e não na cidade. Gdansk fica isolada no norte, super longe da Áustria, Hungria, República Tcheca... Berlim, que é uma cidade relativamente perto (7 horas), é super difícil de ir. Não tem vôo, nem trem ou ônibus direto. Tem que trocar em outras cidades, e os horários nunca batem... uma merda! Gdansk é uma cidade média, tem vôos para pouquíssimos lugares, e o que tem é já está super caro por causa das datas.
O pessoal do flat está planejando passar um/dois dias em Poznan, mas não estou muito afim de ir. Acho que vou passar meu último final de semana aproveitando a cidade mesmo, tentar ir em lugares que ainda não fui e tal. Só tenho mais uma semanaaaa :(

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Orunia, Cracóvia and more

Nossa, não posso ficar tanto tempo sem postar... acumula muita coisa para escrever, acabo esquecendo várias coisas e fico com cada vez mais preguiça!

Quarta tivemos workshop em Orunia. Orunia é o pior bairro de Gdansk e onde mais gostamos de trabalhar. Dessa vez fomos uma hora mais cedo porque a coordenadora e mais dois meninos queriam nos mostrar o bairro. Não é nenhuma favela brasileira, mas pudemos ver em que situação as crianças com que trabalhamos vivem, e não são nada boas. Depois fomos para a ONG, encontramos o resto das crianças e os meninos maiores queriam jogar futebol com a gente. O jogo foi ótimo. Não o jogo em si (nós, meninas, não fizemos quase nada), mas o convívio, porque é muito díficil lidar com esses meninos e não tivemos nenhum problema durante o jogo. Quando acabou, começamos a fazer um painel com frases em todos os idiomas dos voluntários. Algumas ciranças estavam muito envolvidas, mas os meninos começaram a criar problema. Começaram a bater em uma menina menor e a fazer gestos sexuais para a Eli, a coordenadora não estava conseguindo manter o controle da situação e o workshop acabou. Sentamos todos para discutir o que estava acontecendo (coordenadora e voluntários). Teve desabafos, choro e tensão. A coordenadora tentou explicar o lado dos meninos, que só são aceitos naquela ONG, já tem fichas criminais, etc (eles tem aproximadamente catorze anos). Tentamos compreender, mas mesmo assim não é um comportamento aceitável.
Quinta fomos na ONG das crianças menores. Aquela que só organizamos brincadeiras para crianças que não estão nem aí. Tive sérios problemas com uma criança, tive que gritar com ela e isso me fez querer não voltar mais lá. À noite teve festa de aniversário para a Aline. Um pessoal do CL veio, teve música de vários países e roll calls, haha.
Sexta é dia de folga. Fui cortar o cabelo, comprar comida e arrumar as coisas para a viagem. Acreditem, uma mochila é muito pequena para três dias!

Cracóvia! O trem saía às 17h47 na sexta, chegamos na estação meia hora antes e até 17h40 ainda não sabiamos onde tinha que pegar o trem. Não tinha nenhuma indicação e cada pessoa falava uma coisa. Depois de muita correria de uma plataforma para outra, conseguimos! Aí veio outro problema... o trem estava lotado, a maioria das cabines reservadas e não havia lugares para todo mundo, muita gente já estava sentada no chão. Depois de muito tempo andando pelo trem e pensando "nós temos que achar um lugar!", desistimos e sentamos junto com as bicicletas. Seriam doze horas sentadas no chão, se depois de meia hora a Aline não tivesse encontrado milagrosamente seis lugares em uma cabine. Como éramos em sete, o Hector e o Ben iam revezando quem ficava sentado para fora da cabine. Viagens de trem não são tão divertidas como parecem. O trem fica parando em muitas cidades, e às vezes freia do nada (no meio do nada) e você acorda assustado.
Chegando lá fomos procurar hostel. Dessa vez estavam mais cheios, no quinto que entramos conseguimos vaga para sete. Mais uma vez pegamos um quarto só para a gente, mas agora por 35zl! Muito barato. O banheiro era ruinzinho, mas o café da manhã era muito bom, tinha biscoitinhos e café/chá o dia inteiro e três computadores com internet, sem contar que era a dois quarteirões do Main Square. Como a diária só começa à tarde, saímos para tomar café da manhã. Achamos um lugar "coma o quanto quiser por 25 zloty", e comemos muuuuuito. E fizemos sanduíches e escondemos na bolsa para depois também, hahaha.
Nós tínhamos ouvido falar de "free walking tours", e Cracóvia têm dois. Fizemos os dois. Um começou meio dia, mostrou os principais pontos da cidade antiga e o Wawel Castle. Às três da tarde teve o "Jewish tour", que nos levou para o bairro judeu, gueto, etc. Achei muito legal fazer esses tours, os guias são muito bons e sem eles perderíamos muitas informações importantes. Quando acabou fomos comer a melhor zapiekanka da Polônia. Triste, porque TODAS elas vem com champignon e não tem como pedir sem. Voltamos para o Main Square, e enquanto o pessoal comprava souvenirs, fiquei sentada admirando a beleza da cidade. O dia estava lindo e a cidade cheia. Voltamos para o hostel para tomar banho e nos prepararmos para a noite.
Noite em Cracóvia? Muuuito boa! Um amigo da Aline já tinha passado todas as dicas de festas, e eu resumi elas muito bem no meu caderninho, até umas portuguesas que conhecemos no tour tiraram foto das descrições. Saímos do hostel às onze. Andando pela cidade antiga vimos muitas festas rolando e muita gente do lado de fora chamando para entrar. Nos encontramos com o resto do pessoal à meia noite em frente o Alchemia, que é um bar antigo e famoso do bairro judeu. É MUITO legal por dentro: cada parte do bar é um cômodo de uma casa e para passar de um para outro você tem que entrar em um armário, a decoração é muito legal e o ambiente iluminado à luz de velas. Pena que não ficamos muito, porque o pessoal da mesa do lado estava olhando bem feio para a gente. Quando reunimos todo o povo, seguimos para o Kitsch Club (descrito no meu caderno como "ir por último"). O Kitsch ficava no terceiro andar de um prédio antigo. Você ia subindo as escadas escuras e cada andar era um clube diferente. Depois entendemos porque era para ir por último, todo mundo já estava muito bêbado e louco, pole dance era disputadíssimo e a festa estava lotada. Conhecemos uns portugueses e brasileiros e ficamos conversando um tempo com eles. Bebi muito por 60zl. Fomos embora às cinco da manhã, no auge da minha simpatia com pessoas desconhecidas.
Dormimos não mais que três horas, porque tínhamos que acordar para ir para Auschwitz. Fica a uma hora e meia de ônibus de Cracóvia. Depois de muita gente falar para eu ir, decidi que tinha que ir mesmo, e não me arrependi. É uma experiencia única. A sensação que tive lá dentro foi muito ruim, principalmente entrando na câmara de gás e crematório e vendo os cabelos e pertences das pessoas mortas, mas é muito interessante. Achei que ia chorar, mas não chorei. O engraçado é que clima estava exatamente como eu imaginava: fechado e chuvoso. Não imagino céu aberto e sol naquele lugar.
Voltando para a cidade fomos almoçar e entrar na St Mary's Church, que é liiiinda. O pessoal que trabalha no kindergarten tinha que voltar domingo para trabalhar na segunda, e como eu estava andando com eles, quando eles foram embora fiquei sozinha no hostel. Até saí uma hora para procurar os outros mas não deu em nada, voltei. Estava eu de boa assistindo Elizabethtown com umas meninas da Nova Zelândia quando aquele cara estranho veio falar comigo. Um francês, matemático-físico, que começou a me mostrar os sites que ele tem e onde escreve seus pensamentos. Me mostrou um novo modelo econômico que ele desenvolveu, baseado na Internet (?), mas que não sabe como implementar. Mostrou filosofias dele, sobre o que é amor, inferno, paraíso... textos sobre física quântica e metafísica... "singlesunion.info" um site que ele criou para unir pessoas solteiras ou sei lá. Depois disse que está viajando porque está em depressão por ainda estar solteiro e quer achar alguém por aí. E durante todo esse tempo eu só pensando "cadê meus amigooos?", e eles chegaram depois de uns quarenta minutos. Queria muito ter ido na tal Rehab Party que tem todo domingo (ainda mais depois da morte da Amy) mas deitamos na cama para descansar um pouco, e quando acordei já era dia.
Segunda cedo fomos tomar café em um lugar muuuito bom de cupcakes. Nos despedimos da Natasha e da Sofia porque elas iam voltar de hitchhiking e não sabiam quando iam chegar em Gdansk. Sobrou eu, o Hector e a Maria, pegamos um táxi para a fábrica de Schindler (do filme A Lista de Schindler) que hoje em dia é um museu sobre o Holocausto. Chegamos lá para comprar os bilhetes e no balcão estava escrito bem grande "SOLD OUT", porque segunda-feira é de graça e tem que reservar pela internet. Já estávamos super tristes, andando pela parte da frente do museu (que tem coisas interessantes), quando de repente o Hector volta do banheiro com três bilhetes usados que ele pediu para um cara. E pronto, entramos no museu! :D Ainda bem, porque era muito foda. Depois voltamos para a cidade de tram, almoçamos, compramos souvenirs e tomamos um shot de vodka um um lugar legalzinho. Voltamos para o hostel, pegamos nossas coisas, compramos comida e fomos pegar o trem. Dessa vez a viagem demorou quinze horas (o que eu não esperava) e acabamos perdendo um workshop que teríamos terça de manhã.

Então terça acabou sendo mais um dia de folga, só saí para comer uma panqueca de queijo cottage no restaurante vegetariano. À noite bebemos cerveja de mel e fizemos bolo de chocolate. Aqui eles tem cervejas misturadas com várias coisas: mel, raspberry, maçã, tequila, citrus... O normal é comprar pronta, mas tem alguns bares que colocam syrup da fruta, aí se toma com canudo, hahaha.
Quarta saí sozinha, peguei o ônibus errado e acabei no meio do nada, mas sobrevivi. Mais tarde teve workshop em Orunia. Foi bom, fizemos um jogo para nos conhecermos melhor e depois brincamos de pique-bandeira e queimada (me lembrei muito da primeira/segunda série). As crianças cooperaram bastante mas os meninos saíram mais cedo para fumar. Enfim...
Hoje fui na ONG que não gosto muito (às vezes gosto, às vezes não gosto). Brincamos de pique-bandeira e queimada de novo e outras coisas. As crianças adoram as nossas bandeiras. Aliás, também adoram as fitinhas do Senhor do Bonfim. Elas apontam para o meu braço perguntando o que é, eu chamo alguém para explicar (haha) e pergunto se eles querem, e sempre querem. Hoje até pediram para irmãos e amigos. O pessoal aqui de casa e do CL também usam. A Maria ficou super feliz quando eu dei, ela disse que agora Brasil é moda no México e que fazia tempo que ela queria uma dessas, haha.

To esperando há horas me passarem as fotos da viagem, desisto. Esse post vai ficar sem fotos mesmo! beijo

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cześć

A semana passada passou muuuito rápido! Segunda eu estava morta por causa da viagem e terça acordei muito doente e não fui trabalhar no kindergarten. Mais tarde fui na ONG do pessoal que pratica esportes radicais, e depois fomos todos para o KFC porque a AIESEC estava bancando (finalmente).
Quarta fiz máscaras de carnaval com as crianças, e elas ficaram superfelizes brincando e correndo para todos os lados. Quinta foi meu último dia lá, fiz umas brincadeiras e pedi para desenharem o que mais tinham gostado de fazer enquanto eu estava com eles. Desenharam as notas de dinheiro, o avião de papel, as máscaras, as bandeirinhas de festa junina... ou seja, gostaram e lembram de praticamente tudo (:


A viagem de Berlim não rolou mesmo... os horários de passagem não estavam colaborando e acabamos desistindo. Mesmo assim o final de semana foi ótimo! Como não viajei, sexta cedo pude ir em uma excursão com as crianças do kindergarten. Fomos em um tipo de fazenda ver uns animais (como avestruz, emu, lhama, coelho, cabra, etc), teve omelete de ovo de avestruz, salsicha na fogueira e parquinho, haha. Fiquei muito feliz por ter ido, pude me aproximar mais das crianças. Mas agora estou triste porque não vou mais trabalhar com eles :( e já estou com saudades. Agora a Lauren está com eles e todo dia faço um interrogatório para saber das crianças.
No fim da tarde, teve uma mini festa de aniversário para a Maria, com direito a bolo e decorações que ficarão permanentes agora, haha. À noite saímos para Sopot e foi ótimo. As baladas são bem diferentes aqui... a maioria é de graça, as pessoas dançam como loucas, tocam umas músicas muito aleatórias e algumas são mais bem claras que as últimas festas do Insper. Mas as pessoas são bonitas, as bebidas não são caras e é divertido ver os poloneses dançando e tentar imitá-los. Na volta comemos no KFC (não aguento maaais!) e já estava super claro porque amanhece muito cedo.


Sábado era aniversário da Sara. Eu e a Aline não acordamos tão tarde (considerando a hora que fomos dormir) e preparamos um almoço brasileiro para a Sara. Teve arroz (soltinho e com gosto bom), purê de batata e fricasse de frango. Foi bom comer uma comida familiar. Mais uma vez não acertamos no brigadeiro, não sei o que está acontecendo. A Taíla, amiga da Sara que está em Szczecin, e o Kamil, amigo da Natasha que conhecemos em Varsóvia, se juntaram a nós para as comemorações, haha. À noite fomos para Sopot, mas antes disso o Hector milagrosamente resolveu abrir a tequila dele e tivemos um esquenta. Encontramos um pessoal do CL e fomos para Sopot, mas dessa vez fomos para um lugar de frente para a praia, e foi muito bonito ver o amanhecer de lá. Chegamos em casa às sete.
Domingo estávamos mortos. Saímos no fim da tarde para um festival de arte que estava acontecendo aqui em Gdansk. A atração final foi muito bonita, tudo em cima de um lago, com muita luz e fogos de artifício.


Finalmente estamos ganhando a refeição que está no nosso contrato! É em um restaurante vegetariano e, como sabem, eu não sou a pessoa mais feliz do mundo comendo vegetais. Além disso, o lugar fica a meia hora de casa e ainda vamos ter que tirar fotos com cartazes do restaurante para fazer propaganda. Ok, né.
Segunda foi meu primeiro dia na ONG DOM. Não gostei tanto. São crianças normais e enlouquecidas correndo e gritando, e nós só temos que organizar brincadeiras. Nos dias em que eu não pude ir, algumas bateram e morderam o nosso pessoal (tenso). À noite recebemos um e-mail do Wojtek dizendo que hoje teríamos um workshop com as crianças da ONG que geralmente vamos na quarta-feira. O legal da AIESEC daqui é que eles avisam com antecedência e explicam qual é a programação. Até onde eu sabia nós íamos passear com as crianças pela cidade, mas na verdade íamos para uma ilha super longe andar pela floresta, e eu estava muito bem preparada com os meus chinelos. Mas foi legal. A comunicação entre nós e as crianças está ficando cada vez melhor, eles nos ensinam polonês e nós os ensinamos inglês. Depois fomos para a ONG das pessoas radicais fazer apresentações sobre nossos países. A do Brasil será daqui a duas semanas, então se alguém tiver alguma ideia legal, fale comigo!
Estamos ensaiando para um tipo de teatro que a Lauren nos ensinou, em que a platéia entra na cena e pode mudar o que acontece. O tema será bullying e nos esperamos que as crianças participem!
Final de semana em Cracóvia (: e ainda estou pensando se vou para Auschwitz ou não.

Dobranoc!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Warszawa



Foi muita correria sexta à noite para arrumar as mochilas e pegar tram. Saímos de Gdansk às 23h30 e chegamos em Varsóvia às 5h00. Éramos em oito pessoas e ninguém tinha pesquisado nada e não tinha ideia do que fazer na cidade. Quando descemos do ônibus olhamos ao redor e não tínhamos noção de onde estávamos, e ainda não sabíamos onde íamos dormir. Pedimos ajuda para um cara e dez minutos depois ele voltou e disse "OK, acho que vocês ainda estão perdidos. O metrô é ali". Também não sabíamos em que estação devíamos descer, então escolhemos a com nome "Centrum" porque parecia que ia dar em alguma coisa boa.
Chegando lá saímos atrás de hostel, e o primeiro que achamos já era ótimo: Nathan's Villa Hostel. O chuveiro tinha box e não mudava de temperatura sozinho, e o buraco da privada estava no lugar certo. Pegamos um quarto só para a gente, e também era muito bom porque dava para andar pelo quarto sem precisar desviar de malas e objetos de outras pessoas. Logo, o hostel era melhor que o nosso flat. 56zl por pessoa.
Pegamos uns mapas na recepção e saímos para andar. Eram 7h00, queríamos tomar café em um lugar bonitinho mas estava tudo fechado, menos a Starbucks, não tivemos escolha. Só a gente andando na rua aquela hora. Vimos umas igrejas aleatórias, uns parques legais, andamos em Stare Miasto (cidade antiga) e paramos para almoçar. Por 28zl comi pães, pato com maçã e molho de cranberry, coca e um shot sei lá do que com gosto de cereja, em um restaurante ao ar livre no lugar mais bonito da cidade, cheio de flores em volta.
Voltamos para o hostel, tomamos banho e às 18h00 saímos de novo. Encontramos um amigo da Natasha que mora lá e ele nos levou para subir no Palácio da Cultura, porque lá de cima da para ver toda a cidade. É muito estranho ver a cidade sabendo que ela foi totalmente destruída e era diferente há sessenta anos atrás. Eu acho muito triste, e fico triste! Depois voltamos para a cidade antiga, tomamos um shot de vodka por 4zl e fomos ver um show de música/luzes em uma fonte perto do rio. Depois o pessoal queria beber na beira do rio (o que é proibido e dá multa) e, como no fundo eu sou uma pessoa muito certinha, não quis ir. Eu, a Eli e a Aline voltamos pra cidade antiga para procurar um café e esperar os outros para ir para um bar depois. Eram 23h00 e todos os cafés estavam fechando, não tivemos escolha, fomos para o KFC.
Estávamos muito cansadas. As opções eram: ir para o hostel de taxi e dormir ou, caminhar durante uma hora em lugares escuros e desertos e procurar os amigos na beira do rio. Como a Eli achava a primeira opção muito mais perigosa (é sério), tivemos que escolher a segunda. Ligamos para o pessoal e eles falaram que estavam perto da ponte colorida. Tinham três pontes e é claro que a que eles estavam foi a última que fomos. Não aguentávamos mais andar e decidimos entrar no primeiro bar que aparecesse na nossa frente (já eram 2h00). Entramos no bar mais aleatório do mundo. A decoração era bizarra e tinham pessoas dançando ao estilo polonês, sentamos no balcão e ficamos vendo eles dançando. Pouco antes das 3h30 o bar fechou e fomos embora de taxi.
Domingo acordamos 11h00. Tinha café, chá e pão com geléia no hostel. Fomos ver o Royal Castle (reconstruído) e depois almoçamos e compramos souvenirs. Seguimos para o Rising Museum (que mostra a recuperação da cidade depois da Segunda Guerra), que eu achei muuuito foda e interessante. Depois fomos para o para o Royal Baths Park, que era muuuito bonito também! Quando vimos já eram 21h00. Voltamos para o hostel, pegamos o resto das nossas coisas e fomos embora!
Andamos como nunca nesse fim de semana. E também aprendemos que é muito difícil conciliar as vontades e preferências de oito pessoas em uma viagem. O jeito é separar o grupo mesmo.

Sexta nossa família ficou completa. A Maria (mexicana) chegou, haha. Ela até tentou ir para Varsóvia de última hora mas não deu certo.
Que decepção. Fui no jogo de vôlei e perdemos de 3x0. Nem deu para minha mãe me ver na TV, haha. Pelo menos depois encontramos outros jogadores pela cidade.
No kindergarten fizemos bandeirinhas de festa junina e as crianças adoraram, mostrei videos de quadrilha e fotos de festas. Ainda tenho três dias no kindergarten, então por favor me ajudem com idéias!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vem que eu vou te ensinar!

Nem sei por onde começar! Agora somos dez, a Eli (iraniana) chegou segunda e a Aline (brasileira) chegou terça. Amanhã chega a mexicana, última integrante dessa casa super preparada para onze pessoas! Mas é muito legal, porque somos muito unidos, sempre saímos juntos, etc. Todo mundo coopera, não tem ninguém com hábitos estranhos, o pessoal cozinha bem... Está tudo ótimo! haha. E estou achando muito interessante morar com alguém do Irã, as coisas são totalmente diferentes do que eu imaginava lá.
Segunda comecei a trabalhar no kindergarten! (: É uma looonga jornada de uma hora e meia para chegar lá, porque só até a estação de trem são trinta minutos andando. O pior é que sempre está chovendo de manhã. Mas adoooro o kindergarten! É bem pequeno, são duas salas de onze alunos, uma com crianças de mais ou menos 3 anos e outra de mais ou menos 5 anos. No primeiro dia levei a bandeira do Brasil, falei um pouco sobre o país, cores em inglês, eles desenharam a bandeira e eu fiz umas brincadeiras. Lá me servem almoço, e no primeiro dia teve almôndegas, pure de batata e salada de repolho. Eu juro que tentei comer o repolho. Eu tentei engolir sem mastigar, tentei comer misturado com as outras coisas, mas não deu! Eu não queria deixar comida, porque ela encomendou comida a mais só por minha causa. Então quando a coordenadora saiu da sala eu tirei as fitinhas do Senhor do Bonfim do único saquinho que eu tinha na bolsa e coloquei a salada dentro, aí depois joguei fora na estação de trem. Trágico. Tinha levado Baton para dar para eles, mas a coordenadora disse que eles não iam ganhar meu presente porque não tinham se comportado bem, aí todos em coro pediram desculpa para mim em polonês. Ooooun, queria ter dado milhões de chocolatres naquela hora! Dei no dia seguinte.
Nos outros dias levei um livro com fotos do Brasil e eles adoraram os animais, depois desenharam e pintaram uns que eu levei. Mostrei as notas de dinheiro do Brasil (umas de mentira) e deu para inventar jogos com elas. Também estou levando músicas. Ontem levei "Five little ducks" e ensinei a coreografia. e hoje dancei Xuxa para eles, hahaha, ensinei "Vem que eu vou te ensinar" e eles gostaram! Também adoraram meu avião de papel, ensinei como fazer.
Quarta fui para a ONG da semana passada. Fiz brigadeiro de colher e as crianças gostaram muito. Estamos ficando mais próximos delas, umas meninas vieram nos abraçar na hora de ir embora (:
Sobre o vôlei... Terça-feira a Sara e a Camila (amiga dela) estavam caminhando pela cidade antiga e encontraram todos os jogadores. O Thiago Alves não está jogando as finais, está sem fazer nada aqui e chamou elas para sair. Aí ontem à noite saímos eu, Sara, Camila, Aline, Lauren, Thiago e Gustavo (um cara que trabalha na Olympikus). Quando estávamos saindo para procurar um bar encontramos o Giba e o Sidão no caminho (pelo menos vi um jogador que já tinha ouvido falar, hahaha). Pedi para trocar o horário no kindergarten, então vou poder ir no jogo amanhã (: A Sara tem ido em todos os jogos e sempre aparece na TV super feliz, haha!
Hoje eu e a Lauren limpamos a sala. Limpar = passar o aspirador e limpar a mesa, porque não tem rodo e pano de chão. Sim, a casa é super limpa. Eu e a Aline fizemos brigadeiro aqui mas queimou, somos muito boas!
Amanhã à noite vamos para Varsóvia, oito pessoas da casa! E voltamos segunda de manhã.
No momento estamos bebendo uma bebida polonesa. Acho que é uma garrafa de vodka com um pedaço de grama dentro, e mistura isso com suco de maçã. É legal! Vou tentar levar para o Brasil.

Hoje não estamos brindando "Naz drowie".
Lauren: Alright you guys, we have 11 roommates. We only have 10 beds BUT... we have 11 cups!!!
Então.. To the cuuups!

domingo, 3 de julho de 2011

Wzreszcz

Wzreszcz  é o nome do bairro que a gente mora, e na minha opinião é a palavra que menos tem a ver com a pronúncia: Djest, haha.
Agora somos oito! Eu, Hector, Sofia, Lauren, Peter, Ben (de Taiwan), Sara (do Brasil) e Natasha (de Moldova). Ainda falta uma iraniana, uma mexicana e outra brasileira.
Quarta-feira foi o primeiro workshop! Essa ONG atende crianças com problemas familiares, entre 12 e 16 anos. O primeiro dia foi para entender melhor como tudo funciona e conhecer as crianças. O grande problema é que elas não entendem praticamente nada de inglês, nem "How old are you?". As crianças costumam cozinhar lá e pediram para o Hector fazer "tortillas", então fomos no supermercado comprar os ingredientes. Me senti mal porque as meninas de 12/13 eram muito mais habilidosas que eu (preciso aprender a cozinhar!). No fim o que fizemos não ficou nada mexicano, mas o toque polonês ficou bom (: Todas as quartas vamos para essa ONG. Mais tarde fomos em um pub perto de casa.
Como todos sabem, eu gosto muito de crianças pequenas, então eu tinha perguntado para a Patrycja (responsável pelo projeto International Kindergarten) se qualquer dia eu poderia participar para ver as crianças. E o que ela respondeu? Me chamou para trabalhar três semanas em kindergartens! :D Portanto por três semanas (ou uma e meia, se eu dividir com a Lauren) estarei trabalhando em dois projetos ao mesmo tempo.
As coisas não são tão organizadas aqui. Era para rolar um terceiro projeto chamado Inspire, que os interns iam visitar hospitais e orfanatos (muito legal). Mas o CL simplesmente cancelou de última hora por falta de recursos, e quem está vindo para participar desse projeto ainda não foi avisado! Ah, se fosse comigo..
Quinta finalmente fomos para Old Town! Finalmente vi o que estava no Google, hahaha. Subimos em um mirante para ter uma vista de toda a cidade e tiramos muitas fotos (todos nós tiramos fotos o tempo todo, adoro isso!). A cidade antiga é linda, é muito legal andar nas ruas com aquela arquitetura, pretendo voltar muitas vezes. De noite teve festa até cinco da manhã, e na sexta não queríamos ver a luz do sol e muito menos sair de casa. Mais tarde, sentamos e decidimos as regras da casa. A questão da comida é muito complicada quando se trata de onze pessoas, então fizemos uma lista de alimentos básicos que dividiremos, o resto cada um compra o seu. Quanto à limpeza, cada um tem um dia para limpar a sala e o banheiro. Vou limpar o banheiro dia 14, haha. Nada de bebidas na sexta.
Sábado fomos no supermercado fazer a supercompra. Biedronka é uma rede de supermercados de Portugal que vende produtos baratos, e tem um a dois quarteirões daqui. Todo dia vamos lá. A supercompra deu 310zl, o que eu não achei muito, pelo tanto que compramos. Depois fui para a Galeria Balticka (shopping que fica a meia hora daqui) ver o que tinha de interessante.
Hoje (domingo) fomos para Sopot, que é uma cidade grudada com Gdansk. Lá tem uma rua muito bonita enfeitada com flores, cheia de bares e restaurantes. Caminhamos na praia e almoçamos por lá também. Aparentemente não tem muitos turistas por aqui, nem sinal de brasileiros até agora. Todo mundo olha para o nosso grupo porque somos diferentes e estamos sempre tirando fotos, haha.
Tivemos uma reunião para decidir o que faremos nos workshops essa semana. Vai ser uma semana cheia! Workshops e kindergartens... Também começamos a planejar viagens para os finais de semana (grandes chances de irmos para Varsóvia nessa sexta).
Provavelmente vai rolar uma festinha agora, já que o pessoal do CL está aqui. E teremos tacos para o jantar (: See yaaa!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Na zdrowie!

Na zdrowie significa saúde, e é a palavra que mais usamos aqui, haha.

Só aqui me dou conta de quanta coisa eu podia ter deixado no brasil. Coitado do Wojtek, levou minham mala de 40kg até em casa, e depois ele e o Peter subiram 5 andares de escada com ela (quase morreram).
Eles chamam esse tipo de apartamento de "flat". O nosso fica no último andar do prédio, tem um quarto no andar de cima que tem saída para o telhado (o que é bem legal, haha). Três quartos, um banheiro, onze pessoas. Sempre que chego em um lugar novo tenho uma impressão ruim do lugar. "Nossa, é aqui que eu vou morar nos próximos dois meses?", mas depois começo a me familiarizar.
No dia que eu cheguei mal tive tempo para descansar. Saí com o pessoal, fomos em bares e na praia em Sopot e acabei voltando lá pelas cinco da manhã. No dia seguinte fiquei na cama até oito e meia da noite, hahaha.
Aqui o sol se põe depois das dez e volta a aparecer antes das quatro.
Bizarro como os trens são bizarros aqui. Quem não consegue comprar bilhete antes do trem chegar, corre para o primeiro vagão para pagar. Fica muito cheio o primeiro vagão, tipo metrô de São Paulo, haha. Sai de graça para quem tem que descer e não teve tempo de pagar.
Por enquanto somos cinco em casa: eu, a Sofia (grega), Hector (mexicano), Lauren (americana) e Peter (presidente da AIESEC daqui). Provavelmente hoje chega uma brasileira e um taiwanês.
Tudo é muito barato aqui. 1 real = 1,75 zloty. As refeições são muito baratas, e as bebidas também. Quatro latas de cerveja de 550ml são 3 zloty ou até menos. Todo noite fazemos drinking games, estou aprendendo muitos! Haha.
Ainda não fui na cidade antiga. Tudo é muito longe aqui. Dá preguiça só de pensar em sair de casa, são pelo menos 20 minutos até a estação mais próxima.
Os workshops começam hoje no fim da tarde, vou voltar para casa agora para preparar melhor as coisas.
Se tudo der certo, a partir de amanhã teremos internet no flat, aí vou poder postar mais frequentemente :)

Narazie!