quinta-feira, 28 de julho de 2011

Orunia, Cracóvia and more

Nossa, não posso ficar tanto tempo sem postar... acumula muita coisa para escrever, acabo esquecendo várias coisas e fico com cada vez mais preguiça!

Quarta tivemos workshop em Orunia. Orunia é o pior bairro de Gdansk e onde mais gostamos de trabalhar. Dessa vez fomos uma hora mais cedo porque a coordenadora e mais dois meninos queriam nos mostrar o bairro. Não é nenhuma favela brasileira, mas pudemos ver em que situação as crianças com que trabalhamos vivem, e não são nada boas. Depois fomos para a ONG, encontramos o resto das crianças e os meninos maiores queriam jogar futebol com a gente. O jogo foi ótimo. Não o jogo em si (nós, meninas, não fizemos quase nada), mas o convívio, porque é muito díficil lidar com esses meninos e não tivemos nenhum problema durante o jogo. Quando acabou, começamos a fazer um painel com frases em todos os idiomas dos voluntários. Algumas ciranças estavam muito envolvidas, mas os meninos começaram a criar problema. Começaram a bater em uma menina menor e a fazer gestos sexuais para a Eli, a coordenadora não estava conseguindo manter o controle da situação e o workshop acabou. Sentamos todos para discutir o que estava acontecendo (coordenadora e voluntários). Teve desabafos, choro e tensão. A coordenadora tentou explicar o lado dos meninos, que só são aceitos naquela ONG, já tem fichas criminais, etc (eles tem aproximadamente catorze anos). Tentamos compreender, mas mesmo assim não é um comportamento aceitável.
Quinta fomos na ONG das crianças menores. Aquela que só organizamos brincadeiras para crianças que não estão nem aí. Tive sérios problemas com uma criança, tive que gritar com ela e isso me fez querer não voltar mais lá. À noite teve festa de aniversário para a Aline. Um pessoal do CL veio, teve música de vários países e roll calls, haha.
Sexta é dia de folga. Fui cortar o cabelo, comprar comida e arrumar as coisas para a viagem. Acreditem, uma mochila é muito pequena para três dias!

Cracóvia! O trem saía às 17h47 na sexta, chegamos na estação meia hora antes e até 17h40 ainda não sabiamos onde tinha que pegar o trem. Não tinha nenhuma indicação e cada pessoa falava uma coisa. Depois de muita correria de uma plataforma para outra, conseguimos! Aí veio outro problema... o trem estava lotado, a maioria das cabines reservadas e não havia lugares para todo mundo, muita gente já estava sentada no chão. Depois de muito tempo andando pelo trem e pensando "nós temos que achar um lugar!", desistimos e sentamos junto com as bicicletas. Seriam doze horas sentadas no chão, se depois de meia hora a Aline não tivesse encontrado milagrosamente seis lugares em uma cabine. Como éramos em sete, o Hector e o Ben iam revezando quem ficava sentado para fora da cabine. Viagens de trem não são tão divertidas como parecem. O trem fica parando em muitas cidades, e às vezes freia do nada (no meio do nada) e você acorda assustado.
Chegando lá fomos procurar hostel. Dessa vez estavam mais cheios, no quinto que entramos conseguimos vaga para sete. Mais uma vez pegamos um quarto só para a gente, mas agora por 35zl! Muito barato. O banheiro era ruinzinho, mas o café da manhã era muito bom, tinha biscoitinhos e café/chá o dia inteiro e três computadores com internet, sem contar que era a dois quarteirões do Main Square. Como a diária só começa à tarde, saímos para tomar café da manhã. Achamos um lugar "coma o quanto quiser por 25 zloty", e comemos muuuuuito. E fizemos sanduíches e escondemos na bolsa para depois também, hahaha.
Nós tínhamos ouvido falar de "free walking tours", e Cracóvia têm dois. Fizemos os dois. Um começou meio dia, mostrou os principais pontos da cidade antiga e o Wawel Castle. Às três da tarde teve o "Jewish tour", que nos levou para o bairro judeu, gueto, etc. Achei muito legal fazer esses tours, os guias são muito bons e sem eles perderíamos muitas informações importantes. Quando acabou fomos comer a melhor zapiekanka da Polônia. Triste, porque TODAS elas vem com champignon e não tem como pedir sem. Voltamos para o Main Square, e enquanto o pessoal comprava souvenirs, fiquei sentada admirando a beleza da cidade. O dia estava lindo e a cidade cheia. Voltamos para o hostel para tomar banho e nos prepararmos para a noite.
Noite em Cracóvia? Muuuito boa! Um amigo da Aline já tinha passado todas as dicas de festas, e eu resumi elas muito bem no meu caderninho, até umas portuguesas que conhecemos no tour tiraram foto das descrições. Saímos do hostel às onze. Andando pela cidade antiga vimos muitas festas rolando e muita gente do lado de fora chamando para entrar. Nos encontramos com o resto do pessoal à meia noite em frente o Alchemia, que é um bar antigo e famoso do bairro judeu. É MUITO legal por dentro: cada parte do bar é um cômodo de uma casa e para passar de um para outro você tem que entrar em um armário, a decoração é muito legal e o ambiente iluminado à luz de velas. Pena que não ficamos muito, porque o pessoal da mesa do lado estava olhando bem feio para a gente. Quando reunimos todo o povo, seguimos para o Kitsch Club (descrito no meu caderno como "ir por último"). O Kitsch ficava no terceiro andar de um prédio antigo. Você ia subindo as escadas escuras e cada andar era um clube diferente. Depois entendemos porque era para ir por último, todo mundo já estava muito bêbado e louco, pole dance era disputadíssimo e a festa estava lotada. Conhecemos uns portugueses e brasileiros e ficamos conversando um tempo com eles. Bebi muito por 60zl. Fomos embora às cinco da manhã, no auge da minha simpatia com pessoas desconhecidas.
Dormimos não mais que três horas, porque tínhamos que acordar para ir para Auschwitz. Fica a uma hora e meia de ônibus de Cracóvia. Depois de muita gente falar para eu ir, decidi que tinha que ir mesmo, e não me arrependi. É uma experiencia única. A sensação que tive lá dentro foi muito ruim, principalmente entrando na câmara de gás e crematório e vendo os cabelos e pertences das pessoas mortas, mas é muito interessante. Achei que ia chorar, mas não chorei. O engraçado é que clima estava exatamente como eu imaginava: fechado e chuvoso. Não imagino céu aberto e sol naquele lugar.
Voltando para a cidade fomos almoçar e entrar na St Mary's Church, que é liiiinda. O pessoal que trabalha no kindergarten tinha que voltar domingo para trabalhar na segunda, e como eu estava andando com eles, quando eles foram embora fiquei sozinha no hostel. Até saí uma hora para procurar os outros mas não deu em nada, voltei. Estava eu de boa assistindo Elizabethtown com umas meninas da Nova Zelândia quando aquele cara estranho veio falar comigo. Um francês, matemático-físico, que começou a me mostrar os sites que ele tem e onde escreve seus pensamentos. Me mostrou um novo modelo econômico que ele desenvolveu, baseado na Internet (?), mas que não sabe como implementar. Mostrou filosofias dele, sobre o que é amor, inferno, paraíso... textos sobre física quântica e metafísica... "singlesunion.info" um site que ele criou para unir pessoas solteiras ou sei lá. Depois disse que está viajando porque está em depressão por ainda estar solteiro e quer achar alguém por aí. E durante todo esse tempo eu só pensando "cadê meus amigooos?", e eles chegaram depois de uns quarenta minutos. Queria muito ter ido na tal Rehab Party que tem todo domingo (ainda mais depois da morte da Amy) mas deitamos na cama para descansar um pouco, e quando acordei já era dia.
Segunda cedo fomos tomar café em um lugar muuuito bom de cupcakes. Nos despedimos da Natasha e da Sofia porque elas iam voltar de hitchhiking e não sabiam quando iam chegar em Gdansk. Sobrou eu, o Hector e a Maria, pegamos um táxi para a fábrica de Schindler (do filme A Lista de Schindler) que hoje em dia é um museu sobre o Holocausto. Chegamos lá para comprar os bilhetes e no balcão estava escrito bem grande "SOLD OUT", porque segunda-feira é de graça e tem que reservar pela internet. Já estávamos super tristes, andando pela parte da frente do museu (que tem coisas interessantes), quando de repente o Hector volta do banheiro com três bilhetes usados que ele pediu para um cara. E pronto, entramos no museu! :D Ainda bem, porque era muito foda. Depois voltamos para a cidade de tram, almoçamos, compramos souvenirs e tomamos um shot de vodka um um lugar legalzinho. Voltamos para o hostel, pegamos nossas coisas, compramos comida e fomos pegar o trem. Dessa vez a viagem demorou quinze horas (o que eu não esperava) e acabamos perdendo um workshop que teríamos terça de manhã.

Então terça acabou sendo mais um dia de folga, só saí para comer uma panqueca de queijo cottage no restaurante vegetariano. À noite bebemos cerveja de mel e fizemos bolo de chocolate. Aqui eles tem cervejas misturadas com várias coisas: mel, raspberry, maçã, tequila, citrus... O normal é comprar pronta, mas tem alguns bares que colocam syrup da fruta, aí se toma com canudo, hahaha.
Quarta saí sozinha, peguei o ônibus errado e acabei no meio do nada, mas sobrevivi. Mais tarde teve workshop em Orunia. Foi bom, fizemos um jogo para nos conhecermos melhor e depois brincamos de pique-bandeira e queimada (me lembrei muito da primeira/segunda série). As crianças cooperaram bastante mas os meninos saíram mais cedo para fumar. Enfim...
Hoje fui na ONG que não gosto muito (às vezes gosto, às vezes não gosto). Brincamos de pique-bandeira e queimada de novo e outras coisas. As crianças adoram as nossas bandeiras. Aliás, também adoram as fitinhas do Senhor do Bonfim. Elas apontam para o meu braço perguntando o que é, eu chamo alguém para explicar (haha) e pergunto se eles querem, e sempre querem. Hoje até pediram para irmãos e amigos. O pessoal aqui de casa e do CL também usam. A Maria ficou super feliz quando eu dei, ela disse que agora Brasil é moda no México e que fazia tempo que ela queria uma dessas, haha.

To esperando há horas me passarem as fotos da viagem, desisto. Esse post vai ficar sem fotos mesmo! beijo

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